quarta-feira, 11 de junho de 2014

Como lidei com a obesidade - Adulta

Aos 27 anos, entrei em um processo seletivo de intercâmbio para Madrid. Esta foi a fase mais estressante da minha vida. Eu queria passar, só tinha aquela chance. Eu não dormia, eu comia o tempo todo, meu ex-namorado, muito solícito, me dava chocolates para que eu me acalmasse... Eu fazia uma panela de brigadeiro por dia! Era muito, eu sabia que era muito, mas eu precisava daquilo (só na minha cabeça, porque na realidade eu não precisava, nem nunca precisei de nada daquilo).
Passei. Cheguei em Madrid com 103kg e saí de lá com 92kg sem entender como isso tinha acontecido, até agora. Após ler a pesquisa de uma neurocientista grega sobre como o nosso cérebro lida com o vício em comida, descobri que em Madrid eu emagreci porque eu estava muito feliz. Exatamente, eu era plenamente feliz e, por isso, não precisava recorrer a nenhuma dose extra de serotonina e dopamina (vou escrever um post sobre isso mais pra frente), ou seja, não comia tanto e, além disso, sempre caminhava pela cidade, logo, deixei de ser tão sedentária.
Voltei para o Rio de Janeiro, entrei na famosa depressão pós-Europa (vou escrever sobre isso também) e os quilos começaram a voltar, desta vez mais devagar. Comecei a sofrer de tontura, não dormia bem e tinha taquicardia, mas achei que eram sintomas da tal depressão. Terminei a faculdade e arrumei meu primeiro emprego como graduada (yeahhh). No dia do teste admissional: o primeiro baque, minha pressão estava muito alta, a médica perguntou se eu tinha histórico de hipertensão na família e me disse que o meu sobrepeso estava forçando demais meu corpo. Decidi mudar minha alimentação, comecei o processo para me tornar vegetariana (não foi bem por causa da saúde, mas foi também) e também comecei, aos poucos, a cortar frituras dos pratos diários. Não houve mudanças positivas na balança, pelo contrário, eu seguia engordando, mas minha pressão arterial foi se estabilizando. Eu queria ser saudável, queria (e quero) não precisar depender de ninguém e meu aumento de peso (já estava com 95kg) "sem motivos" estava me assustando.
Determinada a ser saudável, comecei a incluir mais frutas e mais integrais na minha alimentação e, então, mudei de emprego. Fui trabalhar em uma multinacional onde tinha uma barraquinha de (advinhem) brigadeiros na porta! Sim! Eu comia cerca de 5 ou 6 brigadeiros por dia, depois do almoço. Afinal, que mal poderia fazer 6 brigadeirinhos, não é mesmo?! (MUITO MAL) Além dos brigadeiros de sobremesa, sempre comia mais doces... Eu amo doces! Quer dizer, para ser sincera, eu amava. Dizia com orgulho que eu era uma chocólatra incurável e que a culpa por eu ser gorda era do chocolate ou (a CLÁSSICA desculpa): "Mas eu não sei porque tenho tanto peso, eu me alimento super bem e só como um docinho aqui ou lá". De fato, eu ingeria alimentos saudáveis, mas TODO o resto estava errado.
No final de 2013 eu descobrir que estava com o nível de glicose muito alto (chorei muito), meu maior medo era (e ainda é) me tornar diabética. Minha mãe era diabética, minha avó foi diabética... A diabetes assombrava minha vida. Pensar que poderia correr o risco de perder uma parte do corpo (tive um amigo na adolescência que perdeu o dedão do pé e uma vizinha que perdeu as duas pernas), ficar cega ou até morrer, por causa de um doce me fez tomar uma decisão radical: emagrecer.
Decidi mudar de vida, ser saudável de verdade, mas como? Sempre tive verdadeiro horror pelas cirurgias de redução de estomago e afins. Como alguém pode se mutilar assim?! (com todo o respeito se você optou por fazer isso). E, durante uma viagem para Sampa, conheci uma amiga do meu namorado, uma fofa linda que havia emagrecido quase 20 kg (agora já emagreceu muito mais!) através da Reeducação Alimentar.
Eu já sabia que esta era a melhor e mais efetiva maneira de se emagrecer e ter saúde (vide meu histórico de milhares de dietas). Pesquisei bastante e comecei minha "nova vida", ou o Projeto Anne :) (continua) 

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