sábado, 31 de maio de 2014

Penseira - Parte II

História da Anne - Parte II (Para ler a Parte I, clique aqui)
Depois de contar, resumidamente, minha história de vida fase: "graduação" para você, deixe-me contar a história de vida fase: "pós-graduação", e essa, confesso, tem sido a mais difícil.
Sabe quando você está no ônibus e passa um daqueles vendedores ambulantes de guloseimas, oferecendo uma amostra da nova-bala-sensação-do-momento? Você pega, come e dois minutos depois quer mais e descobre que não tem um centavo extra na carteira para comprar um pacotinho?! Pois essa imagem elucida muito bem o que tem sido minha vida desde que voltei de Madrid. :)
Cheguei ao Brasil decidida a me formar e voltar para a Europa para fazer o mestrado. Pesquisei sobre mestrados e custos e, ao olhar meu bolso cheio de vento, percebi que não ia rolar... Então, mudei de tática, passei o resto do segundo semestre de 2012, desesperada em frente ao computador, buscando alguma bolsa ou financiamento que me permitisse voltar (é uma droga nascer pobre, viu!). Encontrei uma boa bolsa e eu só teria que concorrer com o mundo inteiro. Bem, juntei meus cacarequinhos acadêmicos e lá fui eu me inscrever. Passei, mas não fiquei em uma das 4 primeiras colocações (que são dão direito a bolsa). Aquilo foi o fim... Chorei por uma semana, me senti injustiçada, rejeitada, mal amada e todas as outras coisas ruins com terminação "ada".
Passado o "período de luto", agora já formada e trabalhando numa televisão, continuei minha busca por outras possibilidades. Neste meio tempo, me candidatei para o mestrado em Coimbra e passei em primeiro lugar!!! Mas Portugal, falido como está, não tem bolsas a oferecer e, novamente, a falta de grana pesou no meu bolso vazio (não tinha nem a primeira parcela da mensalidade). Decidi, então, buscar um emprego e comecei a distribuir cvs. Até que um dia, uma empresa em Hamburg me contactou para uma entrevista de estágio. Fui lá eu, com meu inglês capenguinha, fazer a entrevista por telefone e, por fim, consegui a vaga. Yeh!
Mas como nada vem fácil, tive que desistir do estágio porque o valor da bolsa não cobriam minhas despesas e eu, simplesmente, não tinha como me manter lá :(. Neste meio tempo, mudei de emprego aqui no Brasil. Fui trabalhar numa multinacional, com a esperança de que eles me mandassem para a Europa mas, (claro) não foi isso que aconteceu (eu e minha cabeça na lua).
A essa altura, já haviam se passado 1 ano e meio que eu estava aqui no Brasil e minhas forças já estavam acabando... A "realidade palpável" novamente foi se transformando em um "sonho distante". Foi, então, que me lembrei de uma professora lááá da época da graduação que, sabendo do meu fascínio pela Europa, me disse que eu poderia ser orientada por ela no mestrado e que poderia fazer um intercâmbio em Oslo, pela faculdade, para estudar com uma professora portuguesa com a qual ela tem um projeto de pesquisa. E por que não pensei nisso antes?!
Lá fui eu, correndo me inscrever no mestrado (mudando radicalmente de foco acadêmico), estudei como louca. De manhã, na hora do almoço, de noite, de madrugada... Dormi 4 horas por dia, durante 2 meses e me preparei para a prova, fiz a entrevista, análise de cv acadêmico e todas essas coisas do processo seletivo de mestrado aqui no Brasil. Passei.
Comecei o mestrado em Março e ganhei uma bolsa do CNPq e, por isso, me demiti da multinacional. Mas tamanha foi minha decepção quando a tal professora me empurrou para uma pesquisa com uma universidade dos USA.
Minha cara foi:

A última conversa que tive com ela foi memorável... Cheguei na PUC deprimida, chorei, sentada embaixo de uma estátua da Nossa Senhora, conversei com algumas pessoas e disse que não era aquilo que eu queria. Todos me acharam louca e eu devo ser mesmo. Afinal, quem não quer ganhar uma bolsa de 100% no mestrado + 1500 pilas do CNPq só para estudar? Pois é, sou dessas. Enfim, me recuperei e fui pra aula.
Aquele foi o dia da virada. Uns dias antes eu recebi um "anuncio de despejo", a dona do apartamento, onde moro há 4 anos, disse que ia precisar do meu quarto, mas que eu tinha até o final do período para sair (nem preciso dizer que meu mundo caiu de vez, né?). Entrei no meu quarto chorando e saí decidida a ir para a Europa. Já que a única coisa realmente certa da minha vida, naquele momento, era minha casa e ela se foi, estava na hora e eu levantar voo (como fazia nos sonhos que tinha quando criança).
Voltando... Cheguei na PUC deprimida, desanimada e blá, blá, blá, fui para a aula (que era dada por esta professora) e descobri que havia uma estudante da graduação na pesquisa com a professora de Oslo! Que raiva! E eu, desesperada, querendo trabalhar com Oslo! Ela me disse que a pesquisa dos USA tinha mais perspectiva e tudo mais e lembro-me de dizer apenas: "Mas eu não quero ir para os USA, quero a Europa" e pronto, sai da sala decidida a não voltar mais.
E me parece que Deus só age quando a gente realmente decide. Saí da sala, parei para jantar e, neste intervalo entre descer as escadas e sentar, uma amiga me ligou me oferecendo um trabalhinho de dois dias para a FIFA. Agora sim! Agora começa a história de Portugal :)
Aceitei sem pensar duas vezes e, no dia seguinte, estava lá no local do trabalho. Para resumir a história, duas meninas foram demitidas no mesmo dia em que eu entrei e acabei ocupando um dos lugares livres e o que era um trabalho de dois dias, virou um trabalho de dois meses. Nunca mais pus os pés na PUC (pelo menos, por enquanto).
Juntei uma grana considerável (pelo menos em Real, em Euro eu já não posso dizer a mesma coisa) e comecei a buscar oportunidades na Europa... Pensei em Madrid (me encanta aquela cidade), Dublin, Helsinki e mais meia dúzia de lugares, até que meus olhos se voltaram para Portugal. Estive em Portugal várias vezes durante meu intercâmbio em Madrid e sou completamente/totalmente/enlouquecidamente apaixonada por Porto, ou A Cidade do Meu Coração (como carinhosamente a chamo). E aqui, finalmente, chegamos ao motivo do post. Me candidatei a um mestrado lá. Tenho dinheiro para os primeiros meses, mas terei que me virar com um trabalho... Tenho medo, muito medo, e muitas interrogações que ficam tumultuando minha cabeça. Por isso queria uma penseira... Para ter o poder de tirar todas as interrogações que ocupam minha mente e deixar só as exclamações, virgulas e pontos-paragrafo.
Até a próxima página, ops, post :)

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